Um roteiro para familiares e cuidadores de pessoas com alterações de memória e confusão.
Você não precisa saber o nome do sintoma. Conte o que viu.
Quando uma pessoa com problemas de memória fica confusa, agitada, desconfiada ou recusa os cuidados, é comum o cuidador chegar à consulta cansado e dizer só: “está muito difícil”. Fica difícil, para todos, saber o que aconteceu, quando começou e o que ajuda ou piora.
Este roteiro ajuda a transformar esse cansaço em um relato concreto. Ele pergunta, em linguagem de todo dia, o que mudou nos últimos dias, o que você observou, se a confusão aumentou de repente e como foi um episódio que preocupou você. Também pergunta como você está: se está conseguindo descansar, cuidar com segurança e se tem quem revezar.
Não é um teste, não tem nota e não dá diagnóstico. Não existe resposta certa: “não sei” e “não observei” também são respostas. Serve para levar informação organizada à consulta, onde o médico procura as causas, inclusive as que não são da demência (como infecção, dor, prisão de ventre, remédio novo ou mudança de ambiente), e combina com você o próximo passo.
Quem pode preencher: familiar ou cuidador que conviva com a pessoa.
Quanto tempo leva: cerca de 5 a 10 minutos.
Como usar: preencha na tela (e baixe o PDF com as respostas) ou baixe o PDF em branco, imprima e preencha à mão.
Sinais de alerta: o que não deve esperar a consulta.
O que mudou nos últimos dias: remédios, dor, intestino, urina, comer e beber, sono, mudança de rotina, óculos e aparelho de ouvido.
O que você observou: onze situações do dia a dia, marcando se não observou, se já acontecia ou se começou há pouco.
A confusão mudou?: se aumentou rápido, se piora à noite, se oscila, se há mais sono.
Um episódio que preocupou você: o que aconteceu antes, durante e depois.
Segurança e cuidado de você: descanso, segurança e revezamento.
O que mais preciso na consulta e o próximo passo combinado com o médico.
Quando não esperar a consulta
Confusão que apareceu em horas ou dias ou que vai e volta ao longo do dia, muito mais sono que o normal, febre, queda ou batida na cabeça, risco de alguém se machucar, ou a pessoa falar em querer morrer ou se machucar: chame a ambulância do plano de saúde ou vá ao pronto-atendimento mais próximo. Pode ser uma doença do corpo, não só a demência.
Outros materiais que ajudam
Este roteiro vem antes do NPI-Q (inventário completo de sintomas comportamentais): organiza o relato, e o NPI-Q aprofunda. Para o cansaço de quem cuida, veja a Escala de Zarit e o material Cuidar de Quem Cuida.
Aviso importante: este roteiro não dá diagnóstico, não tem pontuação e não substitui a avaliação médica. Roteiro de observação do cotidiano.